A participação das mulheres no setor de tecnologia é um dos temas mais urgentes do mercado de trabalho brasileiro. Mesmo representando 51,5% da população do país, as mulheres ainda ocupam uma fatia muito pequena das vagas em Tecnologia da Informação (TI), enfrentam desigualdade salarial e têm baixa presença em cargos de liderança técnica. 

  

Neste artigo, apresentamos os dados mais atualizados sobre esse cenário, as barreiras que persistem e os caminhos que estão sendo abertos para mudar essa realidade. 

Panorama atual: qual é a participação das mulheres em TI no Brasil? 

Segundo o mais recente levantamento da Serasa Experian (março de 2025), o número de mulheres atuando em tecnologia no Brasil cresceu 4,6% em relação a 2024, passando de 69,8 mil para 73 mil profissionais. Ainda assim, esse total representa apenas 0,08% da população feminina adulta brasileira, contra 0,34% dos homens. Em termos práticos, para cada mulher em TI, há quatro homens. 

 

O estudo do Observatório Softex (W-Tech 2025) traz um dado complementar e igualmente revelador: considerando apenas especialistas em TI as mulheres representam 19,2% do total, o que equivale a cerca de 89,7 mil profissionais, frente a quase 470 mil homens. 

 

Já o Relatório de Diversidade de Gênero no Setor de TIC da Brasscom (2023) aponta que as mulheres ocupam 39% dos empregos gerais no setor de Tecnologia da Informação e Comunicação, número que inclui funções administrativas, de RH e marketing, não apenas cargos técnicos. Quando o recorte é feito só para funções técnicas, o percentual cai significativamente. 

Desigualdade salarial: mulheres ganham menos em cargos iguais 

De acordo com o levantamento da Laboratória em parceria com a McKinsey & Company, mulheres em cargos semelhantes aos de homens recebem, em média, 24% menos. A disparidade é ainda maior em posições de liderança. 

 

O perfil salarial das mulheres em TI, segundo a Serasa Experian (2025), revela: 

  • A maioria recebe entre R$ 2 mil e R$ 4 mil por mês 
  • 21,4% ganham até R$ 2 mil 
  • Apenas 13,5% recebem acima de R$ 10 mil 

Distribuição regional: onde estão as mulheres em TI no Brasil? 

Segundo a Serasa Experian, a concentração de mulheres em tecnologia é fortemente regional: 

 

  • São Paulo lidera com 31,5% do total de mulheres em TI no país 
  • Rio de Janeiro aparece em segundo lugar com 11,2% 
  • Minas Gerais está em terceiro com 8,4% 
  • A menor participação feminina se concentra nos estados da região Norte 

mulheres na tecnologia que trabalham por regiao n brasil

Esse cenário evidencia que, além da desigualdade de gênero, existe também uma desigualdade regional no acesso a oportunidades no setor tecnológico. 

Educação: a raiz do problema começa antes do mercado de trabalho 

A baixa presença feminina no mercado de TI começa ainda na formação acadêmica. Segundo o IBGE (Estatísticas de Gênero, 2024) com base no Censo da Educação Superior de 2022, apenas 15% dos concluintes de cursos de Ciência da Computação e TI são mulheres, uma queda em relação a 17,5% registrados em 2012. 

 

Apesar disso, há um sinal positivo em áreas mais recentes: segundo o Observatório Softex (W-Tech 2025), as mulheres já representam 29,8% das concluintes em cursos de Inteligência Artificial, índice superior à média global de 22%. Na cibersegurança, somam 17% da força de trabalho e na economia verde digital, 28% das vagas. 

Principais desafios enfrentados pelas mulheres no setor de TI 

O relatório da ISC2 aponta as três principais barreiras que as mulheres enfrentam para avançar no setor: 

 

  • Falta de representação feminina em cargos de liderança 
  • Diferença salarial entre homens e mulheres na mesma função 
  • Ambientes de trabalho pouco inclusivos e desafios culturais (a chamada “bro culture”) 

 

Além disso, a pesquisa da Laboratória e McKinsey aponta que apenas 20% das novas contratações em empresas de tecnologia na América Latina são de mulheres mesmo em processos seletivos com candidatas qualificadas. 

 

O estudo do Observatório Softex alerta ainda: mantido o ritmo atual de crescimento, o Brasil só atingiria a paridade de gênero no setor de TI por volta de 2110. Para atingir o equilíbrio até 2030, seria necessário incorporar 53,5 mil novas mulheres por ano. 

Iniciativas e programas de incentivo para mulheres na tecnologia 

Diversas iniciativas no Brasil buscam ampliar a presença feminina no setor: 

  • PrograMaria: plataforma com conteúdo gratuito e cursos voltados para mulheres que desejam ingressar na tecnologia. 
  • Projeto Educatransforma: capacitação gratuita e inclusão de travestis e pessoas trans no mercado de tecnologia. 

 

Princípios de Empoderamento das Mulheres da ONU Mulheres: sete diretrizes para empresas implementarem a igualdade de gênero no ambiente de trabalho.

Princípios de Empoderamento das Mulheres da ONU Mulheres

O que as empresas brasileiras estão fazendo na prática 

Diante desse cenário, algumas empresas do setor de tecnologia no Brasil têm adotado políticas concretas de diversidade de gênero, indo além das declarações institucionais. Veja o que empresas estão implementando: 

Stefanini 

Uma das maiores empresas de tecnologia do Brasil, a Stefanini possui atualmente 35% de mulheres no quadro geral de funcionários. O dado mais expressivo está na liderança: 48% dos cargos de gestão são ocupados por mulheres, índice próximo à paridade e acima da média do setor. 

Totvs 

Segundo dados da Totvs, 37% das mulheres da empresa estão em posições de liderança e no board esse índice sobe para 43% um dos maiores entre as empresas de tecnologia de capital aberto do Brasil. 

SAP Brasil 

SAP Brasil reportou que mulheres representam 36% do total da força de trabalho local e 31% das posições de liderança. A empresa realiza diagnósticos constantes com metas e indicadores por departamento para estimular a progressão feminina nas carreiras técnicas. 

Mindtek 

Na Mindtek, consultoria especializada em tecnologia da informação, o percentual de mulheres em cargos de auxiliares, técnicas e lideranças supera os 50% do quadro total, número que reflete uma política de processo seletivo comprometida com a diversidade e um plano de carreira estruturado para todos os colaboradores. 

 

Esses exemplos mostram que a mudança é possível e já está acontecendo. Empresas que investem ativamente em diversidade colhem resultados concretos: segundo o Olhar Digital, a implementação de metas de inclusão aumentou a retenção de profissionais femininas em até 35% nas empresas de tecnologia que adotaram a estratégia. 

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Sobre o Autor:

Olá, sou Josafá Tavares, redator de conteúdo da Mindtek. Desde 2019 escrevo sobre tecnologias da informação, produzindo artigos que exploram temas como Data science, programação, Inteligência Artificial, Big data, Business intelligence e Segurança da informação.

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